Sobre a palavra yoga e seus usos nos textos antigos

Por: João Carlos Barbosa Gonçalves

Rio Ganges (sânscrito: gaṅgā), na cidade de Varanasi.

Dentro do contexto que interessa ao estudante de yoga, essa palavra tem 3 usos fundamentais nos textos antigos. Em linhas gerais, esses sentidos podem ser assim definidos:

1) yoga = método. Nesse uso, temos as expressões haṭha-yoga, bhakti-yoga, karma-yoga, por exemplo, em que lemos “método da força”, “método do amor místico” e “método da atividade”, respectivamente. Método que visa a libertação (mokṣa) do ciclo do mundo, conhecido em sânscrito como saṃsāra.

2) yoga = estado de absorção. A célebre frase que aparece no comentário de Vyāsa sobre o Yoga-sūtra, de Patañjali, é um bom exemplo: yogaḥ samādhiḥ, que se lê como “yoga é samādhi”, isto é, “absorção é integração”. Aqui, o autor enfatiza que o estado de consciência buscado pelos místicos indianos é igualmente nomeado por essas duas palavras.

3) yoga = nome de uma escola filosófica. Esse uso aparece na expressão yoga-darśana, que pode ser traduzida como “Escola filosófica Yoga”. Trata-se da linha de pensamento que tem o livro yoga-sūtra, de Patañjali, como texto fundador. Essa linha de pensamento não constitui a totalidade do “yoga”, como muitos pensam, mas é apenas uma das escolas históricas de filosofia indiana, pararela ao sāṃkhya, pratyabhijñā, vedānta, entre muitas outras.

São usos distintos e muitas vezes interdependentes, que, ao serem conhecidos e diferenciados, nos ajudam a esclarecer questões importantes sobre o estudo e a prática que cada escola histórica desenvolveu ao longo dos séculos e, consequentemente, ampara o estudante moderno nas suas escolhas e na sua forma individual de aderir ao yoga.