Introdução ao Tantra

– início em 7 de agosto de 2019 –

com João Carlos B. Gonçalves

Svacchanda Bhairava

Este curso tem o objetivo de apresentar o Tantra, ou o tantrismo, a partir de fontes textuais antigas, compostas originalmente em língua sânscrita.

Apresentaremos a história da tradição textual dos tratados conhecidos como tantras e das correntes que se desenvolveram dentro, e a partir, dessas obras, consideradas como reveladas por seus adeptos. Paralelamente, apresentamos os diálogos concordantes e polêmicos que contribuíram para a consolidação do pensamento tântrico na Índia antiga, em meio ao cenário religioso do hinduísmo.

Percorreremos passagens seletas dos tratados conhecidos como Mālinī-vijayottara-tantra, Netra-tantra, Parā-triṃśikā e Vijñāna-bhairava-tantra, seguindo comentadores tradicionais desses textos, Abhinavagupta e Kṣemarāja, guru e discípulo (séc. X) que tiveram uma vasta produção inserida na tradição que hoje conhecemos como Śivaísmo da Caxemira.

A partir dessas leituras, daremos relevo aos aspectos meditativos dessa tradição e descreveremos sua cosmologia, teologia e principais conceitos filosóficos, como embasamento para as experiências de autonomia da consciência propostas por esses antigos mestres.

Data: de 7 de agosto a 27 de novembro de 2019.
Horário: às quartas, das 19:00 às 21:40.

Haverá práticas meditativas ao longo do curso.
Não há pré-requisitos: iniciantes são bem vindos.

Valor: 6 parcelas de R$ 390,00; ou 3 parcelas de R$ 765,00; ou R$ 2223,00 à vista.

Sobre o Professor que ministrará o curso

Professor de sânscrito, filosofias da Índia e práticas meditativas no IPS/Ashram Urbano. Seu trabalho está voltado para a pesquisa e difusão do Shivaísmo da Caxemira. Doutor em Linguística pela FFLCH/USP.

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Assista uma entrevista com o Prof. João Carlos no Youtube.
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Nota sobre Tantra

Existem várias linhas de tantrismo na Índia, os textos mais antigos que chegaram até nós são de cerca de V d.C. . A palavra tantrismo tem um caráter generalista, tal como a palavra cristianismo, por exemplo, que se refere ao caráter comum das várias tradições que se autodenominam cristãs. No caso do tantrismo, ocorre a mesma coisa: há variadas tradições específicas, com grupos de textos específicos, tradições específicas de gurus, rituais, práticas e códigos de conduta. Portanto, o estudo que pretende aprofundar o conhecimento do tantra, ou tantrismo, exige a escolha de uma tradição específica.

Tantra é uma palavra da língua sânscrita que se refere à noção de “texto”, “obra” ou “tratado”. Em certo momento do pensamento indiano, essa palavra passou a ser aplicada de forma recorrente para nomear obras distintas entre si, mas que possuem boa afinidade com relação a sua filosofia, moral, práticas rituais e práticas meditativas.

Os estudos históricos entendem que os Tantras mais antigos, enquanto gênero textual, têm origem em cerca de V d.C. Tantra refere-se, nesse contexto, ao caráter revelado dessas obras, que chegam a centenas.

Alguns exemplos importantes (para o Śivaísmo da Caxemira) são Mālinī-vijayottara-tantra, Netra-tantra e Vijñāna-bhairava-tantra, entre outros. Entendendo a palavra “tantra” nos títulos dessas obras como “tratado”, temos o “Tratado da exaltação da Deusa Mālinī”, o “Tratado do (terceiro) olho” e o “Tratado da consciência universal experimentada pela consciência individual”, respectivamente.

A palavra tantrismo tem um caráter generalista, tal como a palavra cristianismo, por exemplo, que se refere ao aspecto comum das várias tradições que se autodenominam cristãs. No caso do tantrismo, ocorre a mesma coisa: há variadas tradições específicas que se inspiraram nos tratados conhecidos como Tantra, com grupos de textos específicos, tradições específicas de gurus, rituais, práticas e códigos de conduta.

No contexto tradicional do pensamento indiano, não existem tântricos ou tântricas sem conhecimento textual, isto é, não há como seguir uma tradição apenas pelo sentimento de afinidade sem o aprofundamento naquilo que herdamos dos mais antigos. Se seguir a tradição sem o conhecimento dos seus textos é algo não previsto, menos ainda existe a possibilidade de alguém ensinar tantrismo sem o conhecimento dessa tradição. É como um padre que não leu a Bíblia ou um rabino que desconhece a Torah.

O uso da palavra “tantra” ou “tantrismo”, no contexto moderno (onde se capitaliza o sexo envernizado por uma mística exótica), abre mão do mais importante elemento do Tantra real, que é o ensinamento presente nas obras compostas originalmente em língua sânscrita, transmitido por meio de quem de fato herdou historicamente esse modo de interpretá-las.

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