A dicotomia prática/teoria é aplicável ao yoga?

Por: João Carlos Barbosa Gonçalves

Edição sânscrita da obra Tantrāloka, do caxemire Abhinavagupta (X d.C.)

Muitas pessoas entendem que “prática de yoga” é algo que se faz com o corpo, como se a dicotomia “teoria/prática” se aplicasse à herança cultural indiana da mesma forma como a aplicamos no senso comum.

No contexto dos darśanas (filosofias da Índia), essa dicotomia não se aplica, até porque a maior parte das escolas filosóficas históricas da Índia não fez uso das posturas corporais conhecidas, em sânscrito, como āsanas.

Assim, se seguirmos esse raciocínio de associar “prática” de yoga exclusivamente aos āsanas, estamos dizendo que a maior parte de sistemas indianos é incompleta, no sentido de terem apenas ‘teoria” e não “prática”. Consequentemente, seria completa somente a formulação que ficou mais conhecida fora do contexto da Índia, o haṭha-yoga.

Na visão filosófica indiana, existem práticas mais sutis e práticas mais densas. O estudo dos conceitos, por exemplo, é considerado prática (sādhana), de forma tão importante e frutífera quanto as “práticas” corporais que tanto popularizaram o yoga.

A prática do conceito nutre a prática da meditação e a prática da meditação valida a prática do conceito. São duas disciplinas indissociáveis.